Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher
Próximo ao dia 08 de março, o Redes Cordiais lança a publicação “Fala que Protege: Guia para Comunicadores sobre a Violência contra a Mulher”, voltada a criadores de conteúdo, jornalistas, influenciadores e profissionais da comunicação que atuam em ambientes digitais. Acesse aqui.
A iniciativa nasce em um contexto de crescimento consistente das violências de gênero no Brasil e da amplificação de discursos misóginos nas redes sociais, incluindo movimentos organizados de ódio contra meninas e mulheres, como grupos da chamada “machosfera” e correntes masculinistas que naturalizam a dominação e relativizam abusos.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2025 foram concedidas 621.202 medidas protetivas, registrados 998.368 novos processos de violência doméstica e 4.243 feminicídios em tribunais de primeiro grau. Em 2020, haviam sido contabilizados 2.188 feminicídios — um aumento de quase 94% em cinco anos
Os dados dialogam com levantamentos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e evidenciam que a maioria das vítimas de feminicídio são mulheres negras, entre 18 e 44 anos, assassinadas por companheiros ou ex-companheiros
Ao mesmo tempo, novas camadas de violência emergem no ambiente digital: compartilhamento não consentido de imagens íntimas, stalking, sextorsão, doxxing, cyberbullying e o uso de inteligência artificial para manipulação de imagens e produção de conteúdos falsos com potencial de destruição reputacional.
O guia parte de uma premissa clara: a forma como comunicamos pode proteger ou revitimizar.
A publicação orienta sobre:
O material adota uma perspectiva interseccional, reconhecendo que gênero, raça, classe e outras identidades atravessam de forma desigual as experiências de violência. Além disso, aborda o impacto dos algoritmos das plataformas, que privilegiam conteúdos com forte apelo emocional, criando incentivos à espetacularização da dor — prática que o guia desaconselha expressamente
O “Fala que Protege” reúne ainda:
A publicação está licenciada sob Creative Commons (CC BY-SA 4.0), permitindo compartilhamento e adaptação com atribuição
Embora direcionado prioritariamente a comunicadores, o guia será disponibilizado gratuitamente ao público, com o objetivo de contribuir para uma internet mais responsável, informada e acolhedora.
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