Pequenos Cordiais

Educação Midiática e pensamento crítico na era da inteligência artificial

28/9/2026

Como preparar crianças e jovens para compreender um mundo em que algoritmos, plataformas digitais e inteligência artificial influenciam cada vez mais o acesso à informação e à produção de conhecimento? Essa foi a questão central do encontro Educação Midiática em Perspectiva, realizado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com a participação de David Buckingham, referência internacional nos estudos sobre mídia, educação e juventudes.

Realizado pela Redes Cordiais, em parceria com grupos de pesquisa e programas de pós-graduação da ECA-USP, o evento reuniu pesquisadores, educadores e representantes do Ministério da Educação para discutir os caminhos da educação midiática diante das transformações tecnológicas.

Para Buckingham, a Educação Midiática deve ir além do ensino de ferramentas digitais, formando pessoas capazes de compreender criticamente as mídias, questionar as informações que recebem e participar da cultura. O pesquisador chamou a atenção para o espaço ainda limitado da disciplina nos currículos escolares, apesar da presença crescente das mídias na vida cotidiana.

Ao falar de seu novo livro, O Fim da Informação - ainda sem previsão de lançamento no Brasil - ele avalia que o desafio tem se tornado ainda maior diante das mudanças no próprio sistema de informação, que afetam a maneira como reconhecemos fontes de autoridade, avaliamos conteúdos e estabelecemos o que é verdadeiro. Nesse contexto, a educação midiática precisa desenvolver competências para interpretar e questionar as informações, compreendendo também os sistemas que organizam sua circulação.

A política pública e a realidade das escolas

A implementação da Educação Digital na educação básica foi um dos temas abordados por Larissa Santa Rosa, especialista em Tecnologia e Inovação na Educação Básica do Ministério da Educação. Ela destacou os avanços das políticas públicas, como a Política Nacional de Educação Digital (PNED), e a atualização dos currículos das redes de ensino, com implementação prevista a partir de 2026. Para Larissa, é fundamental que a formação vá além do uso de ferramentas e desenvolva uma relação crítica, responsável e ética com as tecnologias.

Já Douglas Calixto, pesquisador de Educomunicação, cultura digital e algoritmos, defendeu que o debate considere as experiências concretas de estudantes e comunidades escolares, em vez de se limitar às grandes empresas de tecnologia ou à polarização entre riscos e benefícios. Questões como cyberbullying e conflitos no cotidiano escolar, segundo ele, precisam estar no centro das discussões.

Januária Cristina Alves, jornalista, escritora e coordenadora do Pequenos Cordiais, reforçou a importância da leitura crítica e da literatura como caminhos para estimular a imaginação e a autonomia dos cidadãos.

“A gente precisa reflorestar os imaginários. E isso se faz com referências, com fontes. Nunca foi tão importante ler literatura”, afirmou.

As falas convergiram para a importância de uma Educação Midiática que reconheça os contextos sociais, valorize a participação dos estudantes e contribua para que crianças e jovens compreendam não apenas como as tecnologias funcionam, mas também como influenciam a nossa visão de mundo e o nosso papel nesse ecossistema digital.

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