3 mar. 2026 | 16h55 BRT

Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher

Próximo ao dia 08 de março, o Redes Cordiais lança a publicação “Fala que Protege: Guia para Comunicadores sobre a Violência contra a Mulher”, voltada a criadores de conteúdo, jornalistas, influenciadores e profissionais da comunicação que atuam em ambientes digitais. Acesse aqui.

A iniciativa nasce em um contexto de crescimento consistente das violências de gênero no Brasil e da amplificação de discursos misóginos nas redes sociais, incluindo movimentos organizados de ódio contra meninas e mulheres, como grupos da chamada “machosfera” e correntes masculinistas que naturalizam a dominação e relativizam abusos.

Um cenário de agravamento das violências

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2025 foram concedidas 621.202 medidas protetivas, registrados 998.368 novos processos de violência doméstica e 4.243 feminicídios em tribunais de primeiro grau. Em 2020, haviam sido contabilizados 2.188 feminicídios — um aumento de quase 94% em cinco anos

Os dados dialogam com levantamentos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e evidenciam que a maioria das vítimas de feminicídio são mulheres negras, entre 18 e 44 anos, assassinadas por companheiros ou ex-companheiros

Ao mesmo tempo, novas camadas de violência emergem no ambiente digital: compartilhamento não consentido de imagens íntimas, stalking, sextorsão, doxxing, cyberbullying e o uso de inteligência artificial para manipulação de imagens e produção de conteúdos falsos com potencial de destruição reputacional.

Comunicação é responsabilidade

O guia parte de uma premissa clara: a forma como comunicamos pode proteger ou revitimizar.

A publicação orienta sobre:

  1. Tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha e em legislações posteriores;
  2. Conceito de consentimento e seus limites;
  3. Violência política de gênero;
  4. Violência de gênero na internet;
  5. Boas práticas para evitar culpabilização da vítima;
  6. Uso adequado da linguagem (inclusive evitando voz passiva que apaga o agressor)
  7. Cuidados com sensacionalismo e exposição indevida;
  8. Escuta qualificada e autocuidado de comunicadores;
  9. O que fazer quando a vítima é você;
  10. Como agir quando uma vítima procura seu canal

O material adota uma perspectiva interseccional, reconhecendo que gênero, raça, classe e outras identidades atravessam de forma desigual as experiências de violência. Além disso, aborda o impacto dos algoritmos das plataformas, que privilegiam conteúdos com forte apelo emocional, criando incentivos à espetacularização da dor — prática que o guia desaconselha expressamente

Ferramenta prática e gratuita

O “Fala que Protege” reúne ainda:

  1. Cronologia das principais leis sobre violência contra a mulher no Brasil;
  2. Canais oficiais de denúncia e redes de apoio;
  3. Fontes confiáveis para consulta;
  4. Diretrizes nacionais e internacionais de cobertura responsável;
  5. Referências bibliográficas e institucionais

 

A publicação está licenciada sob Creative Commons (CC BY-SA 4.0), permitindo compartilhamento e adaptação com atribuição

Embora direcionado prioritariamente a comunicadores, o guia será disponibilizado gratuitamente ao público, com o objetivo de contribuir para uma internet mais responsável, informada e acolhedora.


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